Os 20 melhores discos internacionais de 2013. Eu acho.

Quem não ama fazer uma lista, não é mesmo? Todo final de ano vem aquela enxurrada, você leva uma ou outra em consideração, xinga todas, etc. Mas listar as suas obras musicais favoritas do ano é uma experiência divertida e bizarra, porque certamente a lista que você fizer hoje já não vai parecer tão certa assim na semana que vem. Essa é a graça.

De qualquer jeito, abaixo está o que acho ser a minha lista dos 20 melhores discos internacionais lançados nesse bonito ano de 2013. Não coloquei os nacionais no meio porque teve muita coisa boa aqui também e não queria fazer uma lista gigante. Se não tiver muita preguiça faço uma só dos nacionais. Quem sabe.

20) Ólafur Arnalds – For Now I Am Winter

Sou fã desse rapaz islandês faz tempo. Ex-baterista de uma banda de metal, ele resolveu dar uma relaxada e fazer música instrumental, principalmente ambiente, misturando elementos da música clássica com a eletrônica, com uma produção caprichadíssima. Foram quatro discos lançados nesse estilo (com destaque pro lindo Found Songs, de 2009), até que esse ano ele resolveu adicionar um elemento a mais na mistura: a voz. Para tanto, chamou Árnor Dan, da genial banda de math-rock da Islândia Agent Fresco (que super recomendo). O resultado foi um disco de música clássica cheio de alma e absolutamente lindo, comprovando a tese de que a Islândia é um país mágico e que a paz mundial encontra-se lá.

19) Cut Copy – Free Your Mind

Pode ser pelo fato de estarmos em dezembro e já estou no clima de férias/verão, mas esse disco está soando glorioso para mim ultimamente. É música eletrônica do tipo que faz você fechar os olhos e sair balançando por aí; que esvazia a cabeça e dá uma baita sensação de liberdade. Qualquer coisa digna de trazer uma sensação dessas merece estar numa lista de melhores do ano.

18) Waxahatchee – Cerulean Salt

Pegue o Best Coast e dê uma sujada nas guitarras à la Sonic Youth. Tcharam, você tem a base para o projeto da simpática Katie Crutchfield. Disco com 13 canções que vão direto ao ponto, raramente chegando aos três minutos de duração, combinando belas letras numa voz suave. Merece também o prêmio de banda com o nome mais divertido de falar em voz alta.

17) Sigur Rós – Kveikur

Desde a obra-prima Takk…, de 2005, que o Sigur Rós não lançava um disco tão incrível. Með suð í eyrum við spilum endalaust tem seus bons momentos e Valtari é de uma serenidade absurdamente linda, mas Kveikur veio em 2013 com algo novo para a carreira desses deuses da Islândia. É um disco que coloca mais peso no estilo único do Sigur Rós, com melodias mais sujas que fogem da perfeição extrema que acompanhava a banda antes. Se Ágætis byrjun tinha o som de anjos chorando, Kveikur é o dia em que esses anjos acordam meio putos com a vida.

16) Disclosure – Settle

2013 foi um ano incrível pra música eletrônica. Teve tanta coisa boa no gênero que o Daft Punk nem conseguiu um espacinho nessa lista. Settle, primeiro disco do Disclosure, é tranquilamente a coisa mais dançável de 2013. Grande fôlego pra cena eletrônica britânica, o duo traz um belo time de convidados para soltarem a voz junto das batidas. Sam Smith, convidado da incrível “Latch” (que é certamente uma das melhores músicas do ano) já aparece até como aposta da NME pra 2014, graças ao Disclosure. Agora dá play aí em baixo e dança comigo.

15) Billy Bragg – Tooth & Nail

Billy Bragg tem mais de 20 discos nas costas em pouco mais de 20 anos de carreira, e não é exatamente alguém que alcançou um sucesso enorme. Bragg sempre foi mais das paradas alternativas, mesmo sendo reconhecido por muita gente como um cara super importante na música folk/country nas últimas décadas. Mermaid Avenue, seu trabalho com o Wilco (do Deus Jeff Tweedy) é uma das coisas mais bonitas que já ouvi, e esse poeta Billy Bragg aparece com tudo em Tooth & Nail. Com 55 anos pesando no corpo, as letras aqui são do ponto de vista de um pai de família meio decepcionado, que chegou na fase de aceitar que não foi tão bom quanto poderia, mas que a vida é isso aí. Handyman Blues traz a essência do disco, com Bragg aceitando que nunca vai ser o cara habilidoso com as ferramentas da casa, que fica confuso com parafusos e estoura a casa inteira tentando trocar um fusível; mas que consegue transformar umas palavras no papel em ouro.

14) Washed Out – Paracosm

Uma grande viagem no chillwave do Washed Out. Mais um disco pro grupo daqueles que fazem você esquecer da vida. Paracosm é produzido pensando numa viagem para um mundo onde você pode flutuar e não existem problemas, desde a entrada da faixa inicial com o som de pássaros cantando até a morte no fim. “Rise up / Forget about yourself forever / Float up / Forget about the pain / Leave it all and start again”
Resenhei esse disco no You! Me! Dancing! Olha aqui.

13) Laura Marling – Once I Was An Eagle

Laurinha Marling tem talento de sobra, isso todo mundo sabe desde o seu primeiro disco, lá em 2008. Alas, I Cannot SwinI Speak Because I Can são geniais do início ao fim, mas A Creature I Don’t Know, de 2011, parecia um disco caprichado demais, feito com tanta perfeição que era até sem graça. Once I Was an Eagle traz Laura com o peito aberto, com a coragem de fazer toda a sequência inicial de músicas sobre um único caso de amor, como uma grande história contada em pequenas partes. É apenas ela e o violão, e nada consegue ser mais poderoso do que isso.

12) Local Natives – Hummingbird

O primeiro disco do Local Natives não tinha nada de especial, era uma obra de folk-pop meio twee sem muita graça. Pode esquecer isso. Hummingbird é o mais perto que 2013 teve da obra-prima Shields que o Grizzly Bear lançou ano passado. É folk com uma cara muito mais própria, com referências claras do próprio Grizzly Bear e de outras bandas gloriosas como Broken Social Scene e Fleet Foxes. Mais instrumentos, letras mais profundas, muito mais emoção e uma produção impecável que tem o dedo dos irmãos mais importantes da música atualmente, Bryce e Aaron Dessner, do The National. É o ingresso do Local Natives para a festinha privada das bandas relevantes da música atual.

11) Autre Ne Veut – Anxiety

2013 não viu nenhum disco de R&B com tanta emoção quanto esse. Letras que descarregam sentimentos em cada frase, acompanhadas por uma produção que passa do r&B ao synthpop, flertando com o dreampop.
Resenhei esse disco lá no You! Me! Dancing! Clica aqui.

10) The World Is a Beautiful Place & I Am No Longer Afraid to Die – Whenever, If Ever

Vamos esquecer a nomenclatura quase pejorativa que o som emo ganhou nos últimos anos. Aqui eu tô falando do emo lá dos anos 90 de bandas completamente geniais como American Football e Mineral. Esse estilo ainda tem uma cena bem forte nuns cantos dos Estados Unidos atualmente, com bandas tipo Empire! Empire! (I Was A Lonely State) e Football, etc; mas não é de lá que vem o melhor disco do gênero em 2013. Essa banda de gigantesco nome The World Is a Beautiful Place & I A No Longer Afraid to Die é da Austrália, e mistura esse 90s emo com post-rock. O resultado é lindo.

UPDATE: PERDÃO PELO VACILO, misturei umas informações e errei o país. A banda é norte-americana mesmo, nada de Austrália.

09) Haim – Days Are Gone

Uma verdadeira aula sobre como fazer um disco pop. As lindas irmãs Haim são incríveis, sabem colocar referências country no indie rock e fazer tudo combinar perfeitamente, misturando com batidas fortes e vocais gloriosos. Days Are Gone é uma grande mistura que faz muito sentido e mostra que dá sim pra fazer música pop não-enlatada atualmente.

08) Queens Of the Stone Age – …Like Clockwork

Josh Homme é foda. Provavelmente o disco de sonoridade mais peculiar do QOTSA, Like Clockwork tem tranquilamente os riffs de guitarra mais sensuais da música em 2013. Sem tantas pedradas quanto os álbuns anteriores da banda, esse é mais caprichado, mais gostoso de ouvir. As baladas no piano são lindas e músicas tipo I Appear Missing mostram toda a força que esses caras têm. E o Queens ainda tem o bônus de ter feito um dos melhores shows do ano no Lollapalooza, quando explodiu meu cérebro inteiro.

07) Arctic Monkeys – AM

Sim, AM tá longe de merecer a nota 10 que a NME deu pra ele, mas isso não quer dizer que esse não é um disco sensacional. O Arctic Monkeys mudou, evoluiu e não é mais a banda de rock de garagem lá de 2008. Aquela banda era foda? Sim, era. Mas esse disco, que carinhosamente chamo de Arctic Monkeys Of the Stone Age, mostra que o Josh Homme fez muito bem ao moço Alex Turner. Guitarras deslizantes, riffs sensuais, músicas sobre ressaca e backing vocals em falsete. O Arctic Monkeys pega tudo isso e não perde a sua cara. Do I Wanna Know é tranquilamente uma das melhores músicas do ano e I Wanna Be Yours tem uma das letras mais bonitas.

06) Chvrches – The Bones Of What You Believe

Primeiramente eu gostaria de dizer que: Lauren Mayberry, eu te amo. Dito isso, CHVRCHES é a banda novata mais legal desse ano, disparado. É puro synthpop, mas dá pra ver o cuidado em não fazer a música parecer sem alma. Isso pode ser explicado pelas origens da banda, os três vieram de belos projetos da linda cena de rock alternativo escocesa. Temos aí membros do genial Twilight Sad, do épico Aerogramme e do ótimo Blue Sky Archives, três bandas que usam um total de ZERO sintetizadores. O resultado de quando eles se aventuraram pela música eletrônica é essa lindeza de Chvrches, com batidas super empolgantes e o vocal maravilhoso da Lauren.

05) Bill Callahan – Dream River

Esse é talvez o disco mais bonito do ano. Bill Callahan pegou seu violão e a voz grave e fez uma grande e belíssima obra sobre a solidão. Só de abrir o disco cantando “The only words I’ve said today are beer and thank you. Beer. Thank you” já dá pra imaginar o nível. É de uma serenidade absurda e beleza incomparável, o tipo de audição que faz bem pra alma. Uma obra-prima que faz da tristeza algo bonito, e no fim dá a esperança. “I have learned when things are beautiful /To just keep on, just keep on”

04) James Blake – Overgrown

James Blake é tranquilamente um dos produtores mais talentosos da atualidade, e, como se não fosse o bastante, ainda toca piano gloriosamente e tem uma voz incrível. Overgrown assume de vez a faceta soul que ficava meio escondida no debut de Blake. Aqui ele assume o piano e põe a voz pra fora sem medo de ser feliz. Esses traços se unem às batidas do post-dubstep e fazem do disco algo sensacional. Take a Fall For Me traz o rapper RZA pra cantar e mostra a combinação do soul com o dubstep e o hip-hop. O resultado é incrível.

03) Vampire Weekend – Modern Vampires of the City

Eu não gostava de Vampire Weekend. Os dois primeiros discos da banda nunca haviam chamado a minha atenção. Custei a dar uma chance a Modern Vampires of the City, mas foi só dar play em Step e a minha visão mudou completamente. Essa obra-prima do Vampire Weekend não só se tornou um dos meus discos favoritos do ano, como abriu a minha cabeça para os outros trabalhos da banda (com destaque para o debut, cuja faixa M79 passou a tocar no repeat aqui em casa). As batidas são incríveis, as trocas de harmonia durante as músicas são absurdamente lindas e as letras são belíssimas. Um disco perfeito.

02) The National – Trouble Will Find Me

Eu já escrevi mais de mil palavras tentando explicar o meu amor pelo The National e sinto que ainda não consegui, mas tudo bem. The National é a minha banda favorita de todos os tempos e Trouble Will Find Me é mais uma obra-prima da carreira deles. O mais direto de todos os discos da banda, o mais cru, o mais bonito. Como de praxe, as letras são as mais lindas do mundo e os arranjos são feitos com o carinho de quem segura um bebê no colo. O disco mais bonito do ano e dono da faixa que mais escutei em 2013, a perfeita I Need My Girl. É para fechar os olhos e apreciar o poder da música.

01) Arcade Fire – Reflektor

Coloco Reflektor na frente de Trouble Will Find Me mais de uma forma racional do que emocional. Ambos os discos me emocionaram e me deram arrepios nos últimos meses, mas o Arcade Fire trouxe algo novo, enquanto o National se manteve na perfeição que alcançou há vários anos. Funeral ainda é pra mim o melhor disco do Arcade Fire, mas Reflektor é tão absurdamente corajoso que merece todos os méritos. Não é fácil mudar seu som tanto assim logo após alcançar o sucesso. Com a produção de James Murphy, um dos meus ídolos na música, responsável pelo histórico LCD Soundsystem, Reflektor coloca no rock/folk do Arcade Fire batidas eletrônicas e africanas, faz uma verdadeira micareta em certos pontos, distorce as guitarras em outros, mantém a energia da banda e os vocais em coro que causam arrepios todas as vezes. Reflektor é original e perfeito em todos os aspectos, sem nenhuma faixa que deixa a desejar, e por isso é o melhor disco de 2013.

If there’s no music up in heaven than what is it for?

Anúncios
Esse post foi publicado em Música e marcado , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s